Daniel Cargnin finca o pé no chão, mas com o sonho lá no alto

Baku, a capital do Azerbaijão, recebe a partir do próximo domingo o Campeonato Mundial sênior, principal competição da temporada 2026. O judô gaúcho participará do torneio com seis atletas, todos da Sogipa, que tentarão medalhas para o Brasil.

Ao longo desta semana, a Federação Gaúcha de Judô publica uma matéria com cada um dos judocas do estado que atuarão no torneio. Daniel Cargnin é o segundo retratado da série. Além dele, os colegas de clube Jéssica Lima, David Lima, Guilherme Schimidt, Rafael Macedo e Leonardo Gonçalves também lutarão no evento.


O gaúcho Daniel Cargnin já está acostumado a lidar com as expectativas. Atual vice-campeão mundial e “camisa 10” da Seleção Brasileira, além de dono de duas medalhas olímpicas, ele vai para mais um Mundial consciente que é nele que residem muitas esperanças de pódios no torneio em Baku. O segredo para não se afetar, ele mesmo explica: “Manter os pés no chão”.

A centralidade que Cargnin encontrou virou sua aliada, depois de anos de oscilações. Vida de atleta não é fácil, afinal. Mas ele sabe disso desde cedo: no júnior, bateu na trave duas vezes antes de, na derradeira disputa, ser campeão mundial na categoria. Logo no início do sênior, nos Jogos de Tóquio, uma sonhada medalha olímpica, meta de qualquer desportista.

Só que nem só de dias bons se vive. O desempenho do oriente não se repetiu em Paris-2024 e, apesar de outro bronze, dessa vez com as equipes, ele mesmo tem a consciência de que poderia ter colaborado mais. Iniciou-se ali um certo inverno – período que acabou sendo necessário para uma posterior retomada.

“Cara, eu voltei de Paris e falei que não ia mais colocar quimono”, revela. “Eu pensei, ‘pô, decepcionei os caras’, mas daí depois fui ver. Primeiro eu decepcionei a mim mesmo”, acrescenta. “Nenhum deles queria mais que eu.”

Veio, então, a reconciliação consigo. E a partir disso, os resultados, a começar pela prata no Mundial do ano passado. “Agora, eu fui campeão do Pan nesse ano, campeão do Grand Slam”, narrou, mas sem deixar-se iludir: “Às vezes a gente acha que está muito mal e isso atrapalha o nosso psicológico. Em outras vezes, pensamos que está muito bem, o que é bom, mas não determinante.”

O foco em si para deixar de lado a pressão que vem justamente da expectativa. “Eu preciso de mim, e isso é uma coisa que me ajuda a tirar o peso disso. Tem aquela história de tu mesmo ser teu maior adversário. Eu vi isso”, conta, explicando a chave da preparação para este Mundial: “Não é para entrar pensando que é favorito. Eu gosto de entrar e mostrar o porquê que eu era o favorito”, diz. “Agora, então, é concentrar no que está no meu controle e no dia deixar para soltar tudo.”

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