Maria Portela exalta novo papel na volta ao ambiente olímpico: repassar conhecimentos

Maria Portela voltou ao ambiente olímpico. Integrante da Seleção Brasileira em três edições da principal competição esportiva do planeta (Londres-2012, Rio-2016 e Tóquio-2021), a gaúcha orientou Clarisse Vallim na conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude, que ocorrem em Dakar, no Senegal.

Após a campanha vitoriosa, a treinadora da Seleção Brasileira cadete – que também é gerente geral da Federação Gaúcha de Judô – comentou sobre a nova imersão olímpica em entrevista. Na conversa, revelou sobre como conseguiu contribuir à conquista de Clarisse e o que espera que a atleta leve no futuro de sua carreira.

Também comentou sobre a experiência da vivência olímpica ao lado do tatame, com novas satisfações: se antes o foco era na medalha, hoje é na passagem de experiência e conhecimento aos atletas mais jovens, em devolver o que o judô a proporcionou ao longo de sua carreira.

Leia a entrevista:

Como foi a experiência voltar ao ambiente de competição olímpico, agora como treinadora? É mais fácil estar dentro ou fora do tatame?
Eu fiquei bastante nervosa, principalmente na primeira luta dela. E na final foi muito energizante, porque a torcida gritou muito, inclusive os senegaleses estavam torcendo. Eu me arrepiei na hora que fui entrar com ela, e foi uma luta bem difícil. Então foi bem importante aquela energia toda. Foi uma experiência ímpar, sabe? Estar de volta a um ambiente olímpico.

Tua experiência de disputa dos Jogos Olímpicos como atleta contribuiu para o grande resultado da Clarisse?
A competição é estruturada quase da mesma forma. Eu acredito que a minha experiência serviu sim. Conversei com a Clarisse diversas vezes, sobre diferentes situações. Também a incentivei fazer algumas atividades, disse para ela se divertir, porque a competição é importante, mas ela precisa estar feliz, estar leve para que tudo acontecesse bem. E eu acredito que ela conseguiu absorver, apesar de não ter feito lutas fáceis.

Todas as atletas estão preparadas, então foi muito importante, e tecnicamente também. Montamos algumas estratégias. Como aqui só está eu e ela, então eu tive que aquecer com ela, isso foi muito legal. Foi uma experiência diferente do que eu tenho vivenciado dentro da seleção, porque normalmente os atletas fazem entre eles. Então foi algo também que me chamou a atenção, me deu uma energia a mais ali.

Ainda que seja a edição para jovens, trata-se de um evento olímpico. O que essa participação agrega à carreira dos atletas participantes?
Esses Jogos trazem uma naturalidade. Acredito que essa experiência vai ser válida, porque um dia ela estará participando de uma edição adulta, e então ela vai lembrar de tudo que fez aqui, de como foi e não vai ser aquele choque, o baque de “uau, eu estou nos Jogos Olímpicos”.

Acredito e espero que se some na carreira dela. E que lá na frente ela possa absorver essa primeira experiência aqui, por mais, que tenha sido uma edição para jovens, um pouco menor em termos de Jogos Olímpicos.

Maria Portela e Clarisse Vallim, em Dakar | Foto: Wander Roberto / COB

E para a treinadora, também fica aquela vontade de um dia comandar uma seleção nos Jogos Olímpicos? Isso chega a ser um sonho?
Eu como treinadora acredito que chegar aos Jogos Olímpicos é o ápice também. Não sei se chega a ser um sonho, mas com certeza estou trabalhando para dar o meu melhor, independente com a qual a classe que eu esteja trabalhando, para que eu consiga devolver um pouquinho de tudo aquilo que o judô me proporcionou, todo o conhecimento que eu tive a oportunidade de obter ao redor do mundo, com diversas escolas, com tantos anos à frente da seleção. Hoje eu tenho a oportunidade de passar. Perceber que muitos deles absorvem e colocam em prática, então isso é algo ímpar, que eu gostaria de continuar fazendo. Acredito que muito mais do que posição, mais essa satisfação de estar entregando, de estar conseguindo somar na carreira deles, como muitos treinadores puderam fazer por mim.

Fotos: Wander Roberto / COB

Facebook
Twitter
Telegram
WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *